Econotícias Online

Data: 16.06.2016

Dinossauros ambientalistas em "crise" de existência

“Nem direita, nem esquerda. Permacultura, agroecologia, horizontalidade, equidade, transparência radical, autogestão, cooperação e inteligência coletiva são algumas formas de se adotar uma política “faça-você-mesmo”, apropriada por movimentos sócio-ambientais contemporâneos, como o CASA (Conselho de Assentamentos Sustentáveis da América Latina – Regional Brasil)”. Henny Freitas
 
Existe hoje um movimento de revolução para a sustentabilidade? Essa foi a pergunta geradora da roda de conversa. Se você respondeu as de sempre: “Greenpeace”, “SOS Mata Atlântica”, “WWF”… esquece! É preciso (re)ciclar os movimentos e, principalmente, suas formas de pensar e atuar.
Tudo certo com o meio ambiente. Se ninguém colocar uma “pedra” no seu caminho ele continuará lá – prestando serviços ambientais gratuitos, como ar puro, água limpa, alimento orgânico e sombra fresca, para os seres humanos que habitam a Terra.
 
Já com o meio ambientalista… uma verdadeira “DR” de alter-egos. Bem diferente de alter-nativas para superar o processo insustentável de tentar sustentar esse tal desenvolvimento sustentável (tido erroneamente como a própria sustentabilidade) através de três pilares fortes, mas desconexos, sem uma fundação enraizada capaz de sustentá-los. Se com o primeiro vento os pilares ambientais, sociais e econômicos se chocam e se autodestroem que dirá com uma tempestade disfarçada de crise ética, moral, política e ambiental?
 
Senti falta de conversar sobre a ousadia de propostas (re)evolucionárias, claras e diretas, como a ZERO (Zona Especial de Regeneração Ambiental), fomentada pela Rede Novos Paques, que traz à tona a discussão de uma política de precaução para não ter o que mitigar ou remediar. Como sugere o princípio nº15, da ECO-95:
 
“De modo a proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deve ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos sérios ou irreversíveis, a ausência de absoluta certeza científica não deve ser utilizada com razão para postergar medidas eficazes e economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental.”
 
Ou até mesmo sobre como aproveitar toda a potência atômica que se gerou através do encontro de ambientalistas e simpatizantes para regenerar ideias obsoletas e ajudar a sustentar o gigante, pela própria natureza.
 
Cansados de escutar suas próprias vozes, talvez esses mesmos dinossauros não tenham se dado conta de que ali também haviam outras vozes menos cansadas nesse meio, dispostas a falar e ser escutadas, a propor e serem retroalimentadas… Não! Simplesmente não se deram conta pois se levantaram e esvaziaram a sala antes mesmo do encontro (intuo que convocado a dedo para servir como “laboratório biopolítico revolucionário contemporâneo”) ter sido terminado.
 
Graças ao entusiasmo inspirador – e persistente – das novas vozes e daquela velha, teimosa e sempre renovada vontade linda de mudar o mundo através da política do “faça-você-mesmo”, micro doses sustentáveis de ações cotidianas estão sendo tomadas por cidadãos e cidadãs ocupados com pensamentos famintos por uma autopoiesis urbana.
A conclusão que chego é simples: O meio ambiente evolui naturalmente. Quem precisa se adaptar a essa (r)evolução é o meio ambientalista!
Henny Freitas

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