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Data: 14.12.2015

Posicionamento do Greenpeace sobre o Acordo de Paris

Acordo histórico pelo clima na COP21
 
O Acordo de Paris, resultado da COP21, foi publicado neste sábado. O diretor executivo do Greenpeace Internacional escreveu sobre o que isso pode representar
 
Kumi Naidoo, diretor executivo do Greenpeace Internacional, fala durante a COP21
Comentando sobre a publicação do Acordo de Paris, resultado da Conferência do Clima das Nações Unidas em Paris, o diretor executivo do Greenpeace Internacional Kumi Naidoo disse:
 
"Às vezes parece que os países da Organização das Nações Unidas podem se reunir para fazer nada. Só que hoje, quase duzentos países chegaram a um acordo. Hoje, a humanidade juntou-se em uma causa comum. O que acontecerá após esta conferência, no entanto, é o que realmente importa. O Acordo de Paris é apenas um passo em uma estrada longa. E há partes dela que me frustram e decepcionam, mas é um progresso.
 
"O acordo estabelece o objetivo de limitar o aumento da temperatura do planeta em 1,5 oC, mas as metas de emissões colocadas na COP21 nos levarão para perto de 3 oC. Isso é um problema crítico – e tem uma solução: A energia renovável já está ganhando espaço em todo o mundo, e agora o seu momento de verdade vai chegar. Essa foi a única tecnologia mencionado no Acordo de Paris. Estamos em meio a uma corrida entre a implantação de energias renováveis e aumento das temperaturas. O Acordo pode dar um impulso vital às renováveis.
 
"Este não é um momento para o triunfalismo, já que algumas vidas já foram perdidas em consequência dos impactos climáticos, e há vidas em risco conforme as temperaturas da Terra sobem. Este é um momento de ação urgente. O relógio do clima está correndo e a janela de oportunidade está se fechando rapidamente.
 
“Agora, os governos precisam rever suas metas de curto prazo para estar em dia com os novos objetivos. E precisam rever suas políticas de energia para acelerar as fontes renováveis. Eles devem parar de financiar os combustíveis fósseis e acabar com o desmatamento até 2020.
 
"O Acordo de Paris é um Tratado de direito internacional, legalmente vinculante – ou seja, tem peso de lei. Mas as metas nacionais (as INDCs) e os compromissos financeiros, não. Isto foi a saída para permitir que os Estados Unidos assinassem o acordo global.
 
"As chamados 'metas de longo prazo' estão em uma linguagem aparentemente incompreensível ('para alcançar um equilíbrio entre as emissões antrópicas por fontes e remoções de fontes de gases de efeito estufa na segunda metade deste século'). Mas combinando com o limite de 1,5 oC, isso implica atingir o zero absoluto em todas as emissões por volta de 2060 e 2080. Então, precisamos eliminar gradualmente os combustíveis fósseis até 2050.
 
"Sobre os direitos dos povos indígenas, isso está no Preâmbulo e na seção sobre adaptação do Acordo. Mas eles não estão tendo garantida a proteção que merecem, ainda mais porque a proteção das florestas é uma das chaves para manter o aumento das temperaturas em 1,5 oC. O Acordo de Paris apenas reconhece que os países devem respeitar e promover os direitos humanos no combate às alterações climáticas.
 
"A conferência contou com a apresentação de boas iniciativas de energias renováveis – ainda que isso estivesse fora das negociações oficiais. A Aliança Solar da Índia, o lançamento da Iniciativa de Energia Renovável na África, prefeitos e líderes de mais de mil cidades que deram apoio a um futuro de energia 100% renovável, são só algumas delas. No próprio texto do Acordo, as energias renováveis são reconhecidas no contexto da promoção do acesso universal à energia sustentável em países desenvolvimento,  como os africanos."
 
Anteriormente, Kumi Naidoo havia se pronunciado sobre o texto que fora publicado algumas horas antes da versão final:
 
“A roda da ação climática gira lentamente, mas em Paris ela se transformou. Este acordo põe a indústria de combustíveis fósseis no lado errado da história.
 
"No texto, há muitos elementos que foram diluídos e poluídos pelas pessoas que destroem nosso planeta, mas ali também está um novo imperativo para limitar o aquecimento do planeta em 1,5 oC. Esse número único junto ao novo objetivo de zerar as emissões líquidas na segunda metade deste século irão causar consternação nas diretorias de empresas de carvão e nas sedes dos estados exportadores de petróleo.
 
"Agora vem a grande tarefa deste século. Como podemos atender essa nova meta? As medidas definidas em Paris simplesmente não nos levarão lá. Temos um teto de 1,5 oC para alcançar, mas a escada para chegar nele não é satisfatória. As metas de emissões em jogo na COP21 não são suficientes e os negócios não farão nada para mudar isso. A nova meta de zero emissões de gases de efeito estufa na segunda metade do século significa, na verdade, que precisamos acabar gradualmente com os combustíveis fósseis – que são facilmente eliminados – até 2050. 
 
"Não há elementos suficientes neste acordo em relação às nações e as pessoas na linha de frente das mudanças climáticas. Ele contém uma injustiça arraigada e inerente. As nações que causaram este problema prometeram pouca ajuda para as pessoas que já estão perdendo suas vidas e seus meios de subsistência.
 
"Este texto por si só não vai nos tirar do buraco em que estamos. Mas joga algumas cordas para nos ajudar a sair. Para nos livrarmos dos combustíveis fósseis, vamos precisar mobilizar cada vez mais pessoas. 
 
"Neste ano de 2015, o movimento climático enfrentou e venceu o oleoduto Keystone, expulsou a Shell do Ártico e decretou o estágio terminal da era do carvão. Temos diante de nós um futuro alimentado por energias renováveis – e é esse futuro que irá vencer. Nos próximos anos, novos líderes políticos chegarão ao poder, e muitos deles ficarão contra nossos objetivos. Se eles vão exercer grande poder, nós também iremos. Entendemos a conferência de Paris foi uma momento dentro de uma longa viagem que estamos fazendo. Em última análise, nosso destino será decidido nas próximas décadas pela coragem coletiva de nossa espécie. E eu acredito no nosso sucesso."
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