Econotícias Online

Data: 06.05.2014

Veganismo Universal

Até parece nome de religião, mas o assunto é delicado e está sendo tratado pela ciência com otimismo. Estudos revelam que uma população sem carne poderia ser a solução para a mudança climática! Como?
 
A indústria da carne é um dos principais contribuintes para a mudança climática, direta e indiretamente. Cerca de quinze por cento das emissões mundiais de gases de efeito estufa antrópicos, ou seja, relativos às interferências provocadas pelo homem no meio ambiente, estão ligadas a carne. E seu consumo continua em ascensão. 
 
À medida que a população cresce e consome mais produtos de origem animal, crescem também estatísticas catastróficas com relação à emissão de gases de efeito estufa, poluição e distribuição de terra.
 
Suponha que de um dia para o outro todas as 7 bilhões de pessoas que habitam o planeta Terra voluntariamente parassem de comer carne. Baseada nessa alternativa, uma equipe de investigadores calculou a influência do veganismo global no planeta.
 
Pesquisadores da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda publicaram um estudo sobre as consequências dos gases de efeito estufa se a humanidade passasse a comer menos carne, nenhuma carne ou deixasse de consumir qualquer produto de origem animal.
 
A adesão ao ‘veganismo universal’ reduziria as emissões de carbono relacionadas à agricultura em 17 por cento, as emissões de metano em 24 por cento e as emissões de óxido nitroso em 21 por cento até 2050.
 
Os pesquisadores holandeses dizem que o vegetarianismo por si só não seria capaz de acabar com o aquecimento global, mas poderia ser um caminho alternativo para mitigar, por um custo muito menor, a mudança climática. 
 
 
O que mais poderia acontecer se o mundo virasse vegetariano?
 
 
“Ainda não analisamos possíveis consequências sócio e agroeconômicas com relação às mudanças na dieta e suas implicações na saúde sobre os números do PIB e da população. Tais consequências não envolveriam apenas os custos dessa transição, mas também os impactos sobre os preços das terras”, escreveram Elke Stehfest e seus colegas.
 
De acordo com o ‘Livestock Long Shadow’, o relatório de 2006 das Nações Unidas sobre os efeitos ambientais devastadores da carne, a produção de gado é responsável por 1,4 por cento do PIB total do mundo.
 
A produção e venda de produtos de origem animal são responsáveis por 1,3 bilhões de postos de trabalho e 987 milhões dessas pessoas são de classe baixa. 
 
A perda do emprego dessas pessoas seria o primeiro grande problema a aparecer caso a demanda por carne desaparecesse da noite para o dia. Mas o suposto ‘desastre’ seria compensado pelos novos postos agrícolas, pois o vegetarianismo global demandaria mais terra para produção de grãos e vegetais. 
 
Atualmente, a terra de pastagem para ruminantes (vacas e outros) responde 26 por cento da superfície terrestre livre de gelo do mundo.
 
Os cientistas holandeses preveem que 2,7 bilhões de hectares (cerca de 10,4 milhões de quilômetros quadrados) de terras de pastagem seriam liberadas para o vegetarianismo global. Isso sem contar com os 100 milhões de hectares de terra que atualmente são utilizados para o cultivo de alimentos destinados a criação de gado. 
 
Nem toda essa terra seria adequada para os seres humanos, mas além de poder (re)distribuir melhor a população, este súbito afluxo de novos territórios faria com que o valor da terra barateasse como um todo.
 
A terceira maior ramificação do vegetarianismo global seria que o risco de infecções resistentes aos antibióticos. Atualmente, o uso rotineiro de antibióticos na criação de animais para promover o ganho de peso e prevenir doenças em condições insalubres é um dos principais contribuintes para a resistência aos antibióticos. 
 
O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos anunciou em 2013 que pelo menos 2 milhões de norte-americanos adoecem de patógenos resistentes aos antibióticos a cada ano e declarou que “a prescrição excessiva de antibióticos em animais é desnecessária e inadequada”.
 
Qual seria, então, o resultado de uma população mundial totalmente vegetariana? Da combinação de desemprego generalizado e perturbações econômicas? De milhões de quilômetros quadrados de terras disponíveis e um menor risco de doenças resistentes a antibióticos?
 
Mesmo que o vegetarianismo intercontinental seja um cenário pouco provável, isso certamente acabaria com a crueldade capitalista. Uma conversão mundial súbita ao vegetarianismo traria dissonantes efeitos. Mas, com a população mundial prevista para aumentar em 9 bilhões até 2050, a redução gradual do consumo de carne é uma solução viável e daria tempo para o mercado (e o planeta) se ajustarem! 
 
 
 
Esta história foi publicada originalmente na revista Slate, (re)publicada no site Mother Jones e é aqui apresentada, na Movieco, como uma reflexão sobre a consequência dos ‘efeitos-estufa’ que nós produzimos na Terra como indivíduos.
Henny Freitas História original publicada na revista Slate. Foto: VeselovaElena/Thinkstock

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