Econotícias Online

Data: 06.02.2014

Dez anos de transgênicos no Brasil é pauta de palestra no FST

Quase 50 pessoas participaram da oficina temática sobre o plantio e consumo de alimentos transgênicos, realizada na noite desta terça-feira (21/1), primeiro dia do Fórum Social Temático (FST), que acontece até domingo (26) em Porto Alegre e Canoas. O objetivo do debate foi analisar os dez anos de cultivo de transgênicos no Brasil, abordando os aspectos socioeconômicos dos transgênicos e enfatizando suas implicações para a saúde humana e ambiental. O debate foi realizado no Memorial do RS, e integra o Eixo 3 do FST, sobre Justiça Social e Ambiental. O evento foi promovido pela Agapan, Grupo de Estudos em Agrobiodiversidade (GEA), do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS).
 
“Se analisássemos todos os fatores (ambientais, sociais, éticos e técnicos) que envolvem a produção de transgênicos, concluiríamos que seria proibido produzir monoculturas, como a soja”, destacou, em sua palestra, Antônio Andrioli, vice-reitor da UFFS, membro do GEA, especialista em meio ambiente e representante da Agricultura Familiar na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Andrioli relatou discussões sobre o posicionamento e perspectivas da Comunidade Econômica Europeia sobre a produção e consumo de Organismos Geneticamente Modificados (OGMs), que participou na Alemanha e na Áustria, em novembro e dezembro de 2013. Segundo o palestrante, a principal diferença entre Brasil e União Europeia é a mobilização dos consumidores, muitas delas relacionadas a temas ambientais. “O pimentão ter veneno é quase nada se comprado com o milho e a soja que comemos em muito maior quantidade, pois estão embutidos em muitos outros alimentos que ingerimos todos os dias”, comparou.
 
Andrioli observou que o mercado, “que considera apenas a quantidade, regulariza o plantio e o uso de soja e milho transgênicos no Brasil para alimentar rebanhos na Europa”. Para ele, é preciso mudar esse foco e incentivar os países a utilizarem outras plantas, a exemplo do que fazem Alemanha e Áustria. “Precisamos recuperar o custo ambiental da monocultura da soja, que é absurda e economicamente inviável”, afirmou, ao criticar que o agronegócio brasileiro continua se afirmando como um bom negócio.
 
Para Andrioli, o problema ambiental é de conhecimento, enquanto que a lógica da concorrência, que é a base do mercado, destrói a natureza e torna o ar, a água, a semente e a vida expropriáveis, ou seja, objetos de proprietário privado, fortalecendo a palavra sagrada do lucro a qualquer preço. Ao se dizer otimista, Andrioli argumenta que “há muitas coisas nas contradições que mostram que não seguimos apenas um único caminho”, e complementa que “temos que nos desafiar para novas ideias para que não digam que não existem ou que não dá para fazer diferente”.
 
Após a palestra, houve debate e as manifestações da plenária serão reunidas pela Agapan para a construção de propostas de encaminhamento aos futuros candidatos nas próximas eleições.
 
Com o tema central Crise Capitalista, Democracia, Justiça Social e Ambiental, o FST acontece entre os dias 21 e 26 de janeiro, em Porto Alegre e Canoas.
 
Mais informações pelo http://www.forumsocialportoalegre.org.br e www.agapan.org.br
 
 
Assessoria de Imprensa da Agapan Jornalista Adriane Bertoglio Rodrigues

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