Desertificação

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Desertificação

No dia 17 de junho, de todos os anos, comemora-se o Dia Mundial de Combate à Desertificação e à Seca.

A Desertificação é definida como processo de destruição do potencial produtivo da terra nas regiões de clima árido, semi-árido e sub-úmido seco. O problema vem sendo detectado desde os anos 30, nos Estados Unidos, quando intensos processos de destruição da vegetação e solos ocorreu no Meio Oeste americano.
Muitas outras situações consideradas como graves problemas de Desertificação foram sendo detectadas ao longo do tempo em vários países do mundo. América Latina, Ásia, Europa, África e Austrália oferecem exemplos de áreas onde o homem, através do uso inadequado e/ou intensivo da terra, destruiu os recursos e transformou terras férteis em desertos ecológicos e econômicos.
A medida que o estudo sobre a origem dos desertos evoluiu, surgiram conceitos a respeito do assunto:

Deserto

Região de clima árido; a evaporação potencial é maior que a precipitação média anual. 
Caracteriza-se por apresentar solos ressequidos; cobertura vegetal esparsa, presença de xerófilas e plantas temporárias.
Desertificação: origina-se pela intensa pressão exercida por atividades humanas sobre ecossistemas frágeis, cuja capacidade de regeneração é baixa.
Processo de Desertificação: diz respeito a atividade predatória que irá conduzir a formação de desertos.
Área de Desertificação: é a área onde o fenômeno já se manifesta.
Área propensa à Desertificação: área onde a fragilidade do ecossistema favorece o processo de instalação da Desertificação.
Deserto específico: a Desertificação já se manifesta em grau máximo.
As causas mais freqüentes da Desertificação estão associadas ao uso inadequado do solo e da água no desenvolvimento de atividades agropecuárias, na mineração, na irrigação mal planejada e no desmatamento indiscriminado.
Principais Problemas

• vulnerabilidade às secas, que impactam diretamente a agricultura de sequeiro e pecuária 
• fraca capacidade de reorganizar a estrutura produtiva do sertão 
• desmatamento resultante da pecuária extensiva e do uso de madeira para fins energéticos 
• problemas graves de Desertificação já identificados 
• sinalização dos solos decorrente do manejo inadequado na agricultura e no pastoreio 
• perda de dinamismo de atividades industriais e comerciais 
• precária conservação da infra-estrutura rodoviária 
• precário atendimento dos serviços de comunicação 
• precário sistema de difusão tecnológica 
• baixa produção científica e tecnológica para as necessidades do semi-árido 
• deficiência nos níveis de capacitação da mão-de-obra rural, industrial e do comércio 
• fragilidade institucional 
• gestão municipal sem planejamento e comprometimento com objetivos a longo prazo. 


A Desertificação ocorre em mais de 100 países do mundo. Por isso é considerada um problema global. No Brasil existem quatro áreas, que são chamadas núcleos de Desertificação, onde é intensa a degradação. Elas somam 18,7 mil km² e se localizam nos municípios de Gilbués, no Piauí; Seridó, no Rio Grande do Norte; Irauçuba, no Ceará e Cabrobó, em Pernambuco. As regiões áridas, semi-áridas e subúmidas secas, também chamadas de terras secas, ocupam mais de 37% de toda a superfície do planeta, abrigando mais de 1 bilhão de pessoas, ou seja, 1/6 da população mundial, cujos indicadores são de baixo nível de renda, baixo padrão tecnológico, baixo nível de escolaridade e ingestão de proteínas abaixo dos níveis aceitáveis pela Organização Mundial de Saúde - OMS. Mas a sua evolução ocorre em cada lugar de modo específico e apresenta dinâmicas influenciadas por esses lugares. 
As regiões sul-americana e caribenha têm inúmeros países com expressivas áreas de seus territórios com problemas de Desertificação. Os mais significativos são Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Cuba, Peru e México.


Possíveis causas da Desertificação podem ser apuradas.
O desmatamento, que além de comprometer a biodiversidade, deixa os solos descobertos e expostos à erosão, ocorre como resultado das atividades econômicas, seja para fins de agricultura de sequeiro ou irrigada, seja para a pecuária, quando a vegetação nativa é substituída por pasto, seja diretamente para o uso da madeira como fonte de energia (lenha e carvão). 
O uso intensivo do solo, sem descanso e sem técnicas de conservação, provoca erosão e compromete a produtividade, repercutindo diretamente na situação econômica do agricultor. A cada ano, a colheita diminui, e também a possibilidade de ter reservas de alimento para o período de estiagem. É comum verificar-se, no semi-árido, a atividade da pecuária ser desenvolvida sem considerar a capacidade de suporte da região, o que pressiona tanto pasto nativo como plantado, além de tornar o solo endurecido, compacto.


A irrigação mal conduzida provoca a salinização dos solos, inviabilizando algumas áreas e perímetros irrigados do semi-árido, o problema tem sido provocado tanto pelo tipo de sistema de irrigação, muitas vezes inadequado às características do solo, quanto, principalmente, pela maneira como a atividade é executada, fazendo mais uma molhação do que irrigando.
Além de serem correlacionados, esses problemas desencadeiam outros, de extrema gravidade para a região. É o caso do assoreamento de cursos d'água e reservatórios, provocado pela erosão, que, por sua vez, é desencadeada pelo desmatamento e por atividades econômicas desenvolvidas sem cuidados com o meio ambiente.


Conseqüências
Como perda de biodiversidade (flora e fauna), a perda de solos por erosão, a diminuição da disponibilidade de recursos hídricos, resultado tanto dos fatores climáticos adversos quando do mau e a perda da capacidade produtiva dos solos em razão da baixa umidade provocada, também, pelo manejo inadequado da cobertura vegetal
Abandono das terras por partes das populações mais pobres, a diminuição da qualidade de vida e aumento da mortalidade infantil, a diminuição da expectativa de vida da população e a desestruturação das famílias como unidades produtivas. Acrescente-se, também, o crescimento da pobreza urbana devido às migrações, a desorganização das cidades, o aumento da poluição e problemas ambientais urbanos.

Destacam-se a queda na produtividade e produção agrícolas, a diminuição da renda do consumo das populações, dificuldade de manter uma oferta de produtos agrícolas de maneira constante, de modo a atender os mercados regional e nacional, sobretudo a agricultura de sequeiro que é mais dependente dos fatores climáticos.

Há uma perda da capacidade produtiva do Estado, sobretudo no meio rural, que repercute diretamente na arrecadação de impostos e na circulação da renda e, por outro lado, criam-se novas demandas sociais que extrapolam a capacidade do Estado de atendê-las.
As áreas desertificadas brasileiras apresentam características geoclimáticas e ecológicas, as quais contribuíram para que o processo fosse acelerado. 

Algumas regiões brasileiras desertificadas


Semi-árido: Sua área total é de aproximadamente 1.150.662 Km² o que corresponde a 74,30% da superfície nordestina e 13,52% do Brasil.
Bahia: Corresponde a 9,3% da superfície estadual (52,5 mil Km²) em processo de Desertificação. Localiza-se na margem direita do rio São Francisco abrangendo o sertão de Paulo Afonso.
Pernambuco: Dados (Sema 1986) mostram que cerca de 25 Km² (25%) do estado estão tomados pela Desertificação atingindo os municípios de Itacombira, Cabrobó, Salgueiro e Parnamirim.
Piauí: 1.241 Km² da área piauiense encontram-se em acelerado processo de Desertificação, exemplo deste fenômeno pode ser visto na região de Chapadas do Vale do Gurgéia, município de Gilbués.
Sergipe: Estão em processo de Desertificação no Sergipe cerca de 223Km².
Rio Grande do Norte: Representa 40% do estado tomado pela Desertificação; a intensiva extração de argila e a retirada da cobertura vegetal para a obtenção de lenha para as olarias acelera ainda mais o processo.
Ceará: A área desertificada corresponde a 1.451 Km² no município de Irauçuba.
Paraíba: A região do semi-árido é a mais propensa ao processo de Desertificação, principalmente onde os solos são utilizados de maneira irracional. A Desertificação atinge cerca de 27.750 Km² (49,2%), abrangendo 68 municípios.
Amazônia: Também apresenta áreas em processo de savanização decorrentes de desmatamentos indiscriminados.
Rondônia: Corre grande risco de início do processo de Desertificação; várias áreas são desmatadas para fins agrícolas e ocupação indiscriminada do solo.
Paraná: Apresenta problemas de degradação nas áreas de ocorrência do arenito Caiuá; a agricultura é praticada sem haver uma preocupação com o manejo e a conservação do solo, problema acentuado pela devastação de florestas nativas.
Mato Grosso do Sul: O processo ocorre principalmente na região sudoeste do estado, área de ocorrência do Arenito Caiuá, apresentando aspectos avançados de degradação (50 mil hectares).
São Paulo: Dados da SEMA de 1986 já identificavam que, aproximadamente 70% das áreas agriculturáveis do estado estavam tomadas por intenso processo erosivo.
Rio Grande do Sul: Área do sudoeste do estado como os municípios de Alegrete, São Francisco de Assis, Santana do Livramento, Rosário do Sul, Uruguaiana, Quaraí, Santiago e Cacequí são atingidos pela Desertificação. Outras áreas passíveis de degradação estão presentes no sul-riograndense, em especial onde predominam os solos originários do Arenito Botucatu; faz-se necessário um estudo de capacidade de uso, conservação e manejo para que tais áreas não iniciem rapidamente o processo de degradador.
Minas Gerais: De acordo com estudos realizados, 12.862 Km² estão propensos à Desertificação, sendo divididos em 3 áreas:
I - engloba as bacias dos rios Abaeté, Borrachudo e Indaiá na região centro-oeste do estado (11.446 Km²).
II - ocorre na bacia do rio Gorotuba, região centro-norte ocupando 42 Km² de área.
III - localizada nas bacias dos Médios e Baixos São Pedro e São Domingos compreendendo 1.375 Km² de área.
Diante de tudo o que foi abordado, conclui-se que o processo de recuperação de uma área desertificada é complexo, pois necessita de ações capazes de controlar, prevenir e recuperar as áreas degradadas. Paralelamente a estas ações, cabe uma maior conscientização política, econômica e social no sentido de minimizar e/ou combater a erosão, a salinização, o assoreamento entre outros.
Está previsto no Capítulo 12 da Agenda 21, a criação de seis áreas-programas para combate a Desertificação com ações regionais.

Histórico

A Mesopotamia, situada entre dois rios que cortam hoje países como a Síria, o Iraque e o Irã, no Oriente-Médio, é considerada o "berço da civilização". Ali, foi provavelmente inventada a agricultura há mais de dez mil anos atrás e foi, também, a região onde surgiram as primeiras cidades-estados. Essa região, que já foi extremamente próspera graças a um complexo sistema de irrigação, virou progressivamente um deserto por causa do desmatamento e da salinização dos solos devido à falta de drenagem.
O Sahel é hoje uma zona semi-árida de cerca de 5 milhões de quilômetros quadrados situada ao sul do deserto do Saara. Essa imensa faixa de transição ficou mundialmente conhecida durante a seca de 1968-1973, quando mais de cem mil de seus habitantes morreram de fome. Registros antigos mostram que, há mais de sete mil anos atrás, no coração do atual deserto do Saara havia ciprestes, pradarias e água. Ali também, a vegetação foi destruída e os solos se degradaram. 
Nos anos 30, períodos de seca prolongada provocaram forte erosão eólica (houve tornados gerando turbilhões de poeira) no Meio-Oeste norte-americano (Oklahoma e outros estados vizinhos). A erosão destruiu os solos de grandes áreas nessas regiões de clima semi-árido e solos rasos, que já eram conhecidas como Dust Bowls ("Bacias de poeira"). Vale notar que essa calamidade foi precedida pelo desmatamento das estepes (espécies de cerrados) naturais, transformadas, por pouco tempo, em terras agricultáveis. Isso motivou os cientistas a iniciarem pesquisas sobre o fenômeno que, mais tarde, seria designado pelo nome de

"Desertificação".Brasil: 
No Brasil, as áreas susceptíveis localizam-se nas partes áridas, semi-árida e sub-úmidas; a maior parte no semi-árido nordestino. A região semi-árida brasileira caracteriza-se por evapotranspiração elevada, ocorrência de períodos de secas, solos de pouca profundidade, alta salinidade, baixa fertilidade e reduzida capacidade de retenção de água, o que limita seu potencial produtivo. Além disso, o processo de Desertificação é intensificado pela pobreza, e vice-versa.
Esta área do nordeste compreende uma área de 900.000 Km2, onde vivem aproximadamente 10 milhões de pessoas e os estudos mostram que, deste total, 223.000 Km2 estão gravemente afetados pelo processo e imprestáveis para a agricultura. Somando-se a área onde a Desertificação ocorre ainda de forma moderada, o total de terrenos atingidos pelo fenômeno sobe para 574.362 quilômetros quadrados - cerca de 1/3 de todo o território nordestino. Ceará e Pernambuco são os mais castigados, embora, proporcionalmente, a Paraíba seja o estado com maior extensão de área comprometida: 71% do seu território já sofre com os efeitos da Desertificação. O semi-árido nordestino é o maior e mais populoso do mundo, com quase 18 milhões de habitantes. 
Em alguns estados do Nordeste, o modelo de produção baseado em intenso desmatamento, provocou mudanças climáticas que evoluíram para um tipo de Desertificação somente visto no continente africano. Embora haja uma situação de alto risco à economia daqueles estados, a degradação ambiental não é irreversível, pois as áreas afetadas necessariamente não se transformarão em áridos desertos de areia. Mas existem grandes áreas dentro de cada estado que se não se transformarem em deserto, perderão ainda mais sua fertilidade e com isso sua capacidade produtiva ficará seriamente ameaçada. São eles: Paraíba, 63%; Ceará, 52%; Rio Grande do Norte, 36% e Pernambuco, 25%. Também estão ameaçadas pela Desertificação diversas áreas do estado da Bahia, especialmente aquelas localizadas no sertão e no semi-árido baianos.


É importante ressaltar que, no Brasil, as áreas susceptíveis a grave degradação dos solos, dos recursos hídricos, da vegetação e a redução da qualidade de vida das populações afetadas, não se limitam às regiões semi-árida ou sub-úmida seca. Têm sido identificados processos de degradação das terras em outras partes do país, como no Rio Grande do Sul (onde no sudoeste do estado, 100 quilômetros quadrados já não servem mais para a agricultura, sendo a cidade de Alegrete incluída no cenário), norte de Minas Gerais, Paraná, São Paulo e Rondônia. Situação preocupante de degradação é a da região do cerrado, pois o solo é naturalmente fraco, formado por areia quartzonita. Embora a vegetação compense a fragilidade do ecossistema, mantendo uma pequena camada de solo fértil, as freqüentes queimadas e a ação do gado, que consome todos os brotos, a terra enfraquece e a camada de terra produtiva cede lugar à areia. Entretanto, essas áreas não são enquadradas no conceito de Desertificação de acordo com a metodologia das Nações Unidas. 

Fonte: www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/meio-ambiente-desertificacao/

Autoria Portal São Francisco


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